Segunda-feira típica. Em um tempo nem tão típico…

Eu sentia falta da minha irmã. Ela não está mais aqui. Sinto falta do bolo de laranja com calda de chocolate, sinto falta da casa arrumada, dela me cobrando que estude mais, de ver ela ralhando porque estou baixando pornô além do que nosso provedor permite. O HD está quase cheio. Preciso mesmo queimar um CD um dia desses.

Terça-feira solitária pra variar. Nunca tive namorada antes disso, minha mãe achava que eu devia sair mais, mas eu preferia jogar videogame, minha professora de religião acreditava que os jogos “violentos” que eu jogava influenciariam minha personalidade. Mas que besteira. Esse bando de recalcada precisa dar pra ser feliz.

Quarta-feira quente, puta merda a cidade está fedendo, preciso de um refrigerante. Entrei em casa e fui até a cozinha, tem tantos copos espalhados por aqui…mas foda-se no sábado a Cida faz faxina. Puta merda, ela não vem mais. E cadê o refrigerante? Ah, de quando é essa pizza? O bacon está escuro demais, o que não mata engorda…

Sentei no sofá, liguei a TV, mais bichas na TV…merda. O mundo viado é uma merda. Melhor ver meus arquivos.

Hoje eu quero loira, hum…não, não…não…é esse aqui.

O vídeo tem só dois minutos, mas adoro ver loiras de quatro levando no rabo, principalmente quando elas usam esses saltos transparentes, no final aquele close e a câmera treme um pouco, acaba. Pronto, foi pra mim também.

Cara, essa casa está começando a ficar fedida, acho melhor sair, cadê meus fones de ouvido? Peguei do lado do travesseiro. Amarrei o sapato e saí.

“Woman I can hardly express

My mixed emotions at my thoughtlessness

After all I’m forever in your debt

And woman I will try to express…”

Mas que porra é essa? Apaguei.

“Ooh, well, well

Doo, doo, doo, doo, doo

Ooh, well, well

Doo, doo, doo, doo, doo”

Gritei baixo, pois a dor que senti era grande e ainda estava meio dopado, minha língua embolava e eu não articulava muito bem.

Veio meu vizinho (de pau duro), fechei os olhos com medo e fingi que dormia, ele descobriu meu peito, passou os dedos lentamente ao redor dos meus mamilos e eu fiquei petrificado. O medo invadiu meu corpo e eu sentia que não tinha poder sobre ele. Eu perdi meu corpo, eu perdi meu sexo. Sem meu sexo sou fraco e tão vulnerável quanto uma garotinha, estou com medo e as lágrimas rolam rápido sobre meu rosto, mas eu não consigo me mover. Eu tento virar o meu corpo para que ele entenda que eu não quero. Ele só acompanha o meu movimento e meu traseiro passa a receber afagos. A mão dele é mais áspera que meu corpo, o seu cheiro me enoja.

Acordei em outra cama, agora ele estava do meu lado, eu estava de costas e não tinha coragem de me virar, a televisão estava ligada e passava futebol, o jogo era de uma copa passada,  era antigo, mas eu nunca acompanhei esportes. Não demorou muito e ele puxou o cobertor que estava até a metade de nossas pernas, apertou minha bunda suavemente e mexia com ela para cima e para baixo e abrindo ela de um lado ao outro. Desta vez eu não chorei.Tentei pensar em algo diferente, mas minha cabeça e corpo estavam ali, o tempo era eterno. Tentei virar de frente, pra mostrar a ele que me recusava de algum modo, então ele passou a fazer carinho na parte de fora da minha buceta, eu ouvia sua respiração, a sua mão repousava e seus dedos dançavam no meu corpo. Ora agitados, ora comedidos. Então ele colocou o princípio do dedo, e então foi mais fundo, doeu um pouco, mas não me mexi mais. Era pior tentar convencê-lo de que eu não queria, não importa o quanto eu tentasse, ele continuava. O melhor que fazia era manter meus olhos fechados.

Mais um dia de futebol, mais um dia com olhos fechados. Até que aprendi a não ligar tanto, e meu corpo ia para frente e para trás com mecânico movimento, e eu não sentia prazer. Nem mais sentia dor, nosso sexo era o sexo dele, e gostava do cafuné que recebia quando terminava, na verdade se possível eu só escolheria o carinho do final, porque fazia muito tempo que não recebia cafuné de alguém. Talvez a saída agora fosse aceitar.

Ele vinha me trazer comida, perguntava o que eu queria. Eu permanecia calado.

- Sabe minha pequena, eu não sabia que você ia ficar tão gostosa. Se você quiser, não te chamo de gostosa, a maioria das mulheres acha grosseiro. E você quer saber mais? Eu te criei e você deve sua vida á mim, se eu quisesse mesmo…zás. Você já nem estava mais aqui. O que você quer docinho? Olha o que trouxe pra você: flores. Viu como sou gentil? Escolhi vermelhas. Eu cozinhei pra você, fiz um risoto. Nem é tão calórico, sei que você não quer ficar gorda, na verdade nem eu quero. Então eu penso em tudo, e semana que vem, você estará bem melhor. Acho que já está na hora de largar as fraldas.Olha docinho, eu quero que saiba que faço isso pro seu bem, ninguém vai te tratar melhor do que eu. Sou um cavalheiro e sei bem como as mulheres gostam de ser tratadas.

- Eu quero tomar banho.

- Tá bom princesa, mas não se preocupe, eu dou banho em você há muito tempo, você não lembra?

- Não…o que você fez comigo? Hein seu puto sádico? Quer me fazer sua cadelinha é? Eu nunca ia imaginar que um cusão como você ia fazer algo contra mim, você é viado é? Vai dar o cu então! Eu vou ligar pra polícia.

- Hahaha você é minha puta sua cretina, estou aqui te agradando e você reclama? Agora não existe mais mulher. Você acha que é seguro sair na rua? Quer ser arrombada pelo mundo? Vai lá corajosa, põe a cara pra fora! Vai vadia, vai se é tão corajosa…ou melhor, eu faço questão! Vai embora e não espere que eu te proteja.

- O risoto é do que?